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Hoje foi um dia daqueles.
Ainda ontem pensei que já há muito tempo não chorava. Pois hoje, na viagem de volta, fi-la toda a chorar como já não chorava há muito tempo.
Já passaram praticamente 12 horas desde esse momento e ainda me ardem os olhos. Para sair, tive que me maquilhar mais que o costume para não se notar o vermelho em redor dos olhos e as olheiras mais acentuadas. O olhar triste, nem com maquilhagem lá vai.
Acho que desde há uns tempos para cá a minha auto-estima se encontra em valores perigosamente baixos. O sentimento que de ele desistiu de mim, de como vejo outros casais com relações que, para mim, não valem tanto como a nossa valia, faz-me pensar que a culpa de tudo ter acabado, de ele ter desistido de mim, é minha, porque não fui mulher o suficiente para ele, para fazer um "nós" durar.
Hoje tive a facada final, o pontapé na cabeça, o espezinhar de todos os meus sentimentos.
Acho extraordinária a forma como certas pessoas são incapazes de assumir os erros. Acharem que são donos da razão e que só a eles lhe pertence o poder da palavra final, a única certa e incorrigível. Às vezes, a única forma de sabermos o que realmente pensam de nós era sabermos como desligar os filtros de boa educação, senso comum, empatia pelo próximo e barreira social. Às vezes o álcool apaga parte desses filtros. Mas custa mais quando não há teor alcoólico algum onde pôr as culpas. Quando tudo o que ouvimos é o que realmente essa pessoa pensa de nós, mas por incapacidade de dialogar de forma racional à qual se junta uma raiva desmesurada accionada por uma situação que até dá para rir, raiva esta que, sinceramente, devia estar a ser medicada. E foi isso que aconteceu. Hoje fiquei a saber o que o meu pai pensa de mim. E não aquilo que sempre me disse quando, aparentemente não dizia tudo o que tinha para dizer.
Finalmente percebi aquilo que o meu irmão sente quando o meu pai lhe diz coisas horrorosas como me disse hoje a mim. Quando isso acontecia, ficava raivosa, envergonhada e triste pelo meu irmão. Quando isso acontecia à minha mãe, o mesmo, acrescentando o facto de a incentivar para responder de volta com argumentos que eu sei que ela sabe e que deveria usar de volta. Nunca tinha acontecido comigo. Mas hoje foi o dia. O dia de saber. E segundo o meu pai e as suas ideias sempre certas, a culpa de estar sozinha e a razão pela qual vou ficar sozinha para sempre, é tudo culpa minha.
Tal como disse, mais umas pisadelas, uns pontapés e umas facadas.